sábado, 15 de agosto de 2026

Jardim da Amazônia, o retorno

 Recebi um convite irrecusável do grande amigo e ícone da cultura mineira Tavinho Moura, e lá fomos nós, comemorarmos seu niver pelo segundo ano consecutivo na famosa Jardim da Amazônia, um verdadeiro oásis amazônico.

A postagem anterior aqui do blog foi exatamente a da primeira viagem que fizemos para lá. Na ocasião, outro grande amigo nos acompanhava, o Guilherme Serpa, que hoje está se recuperando de um grave aneurisma. Melhoras, Serpa!!! Tu tá fazendo muita falta, parceiro! 

E para completar a equipe, a adorável Sica, esposa do Tavinho e notável pesquisadora da UFMG. 

Dessa vez o excelente guia Jhonata estava numa missão no sul do Pará, então fomos assessorados principalmente pelo guia Marcelo, que não mediu esforços para conseguirmos nossos intentos.

Chegamos à tarde e, para nossa surpresa, uma das grandes estrelas do lugar nos recebeu. 

Melhor boas-vindas impossível! 





Ano passado, a rara e fantástica curica-de-bochecha-laranja só pintava de manhãzinha, nos famosos cajueiros localizados em frente à recepção do hotel. 

O que aliás, já é algo incrível, não é?! Já pararam para pensar nessa conjunção astral?!

Quem plantou aqueles dois cajueiros sabia que eles atraíam aquela espécie?! Os bichos da Amazônia são os mais ariscos que conheço, como elas se acostumaram com a presença humana tão próxima?! Os cajueiros ficam muito próximos não só da recepção, como de um dos quartos do hotel. E detalhe, há uns outros dois cajueiros na área do hotel, em áreas mais remotas, afastados da movimentação habitual de um hotel bem frequentado, mas elas incrivelmente parecem que só frequentam aqueles dois! 

Outro detalhe bem legal, não são os frutos que as atraem. Elas comparecem todos os dias, ao que tudo indica, para se desintoxicarem de frutos venenosos dos quais se alimentam na mata. As danadas buscam a resina, que extraem principalmente dos galhos e dos talos das folhas. 

Tive a impressão que dessa vez elas estavam mais acostumadas com a presença humana do que no ano passado, permitindo aproximações impressionantes de observadores extasiados.










Notem o chão abaixo dos cajueiros cheio de folhas verdes


Dessa vez o Tavinho tinha uma meta ambiciosa, encontrar o "bruxo" da Amazônia, o extraordinário anambé-preto. E, claro, foi muito fácil embarcar nessa com ele, afinal essa fantástica espécie é sonho de birders de todo mundo. 

Como ele bem disse, uma das aves do paraíso brasileira, juntamente com o também amazônico galo-da-serra, que registramos em 2015, em outra memorável viagem.

Para tanto madrugamos, tomamos o café que é servido às cinco e meia e por volta das seis já estávamos descendo o Rio Claro. 

Marcelo, nosso guia, explicou que nossa chance era chegar bem cedo em seu território, nesse caso teríamos alguma oportunidade de encontrá-lo na copa de alguma das árvores da mata ciliar do rio, seu habitat.

Depois de uma hora rio abaixo, atentos a qualquer silhueta ou movimento, entramos em um território conhecido. 

Naturalmente a atenção e a tensão aumentam. 

A cada curva, novas águas renovavam a esperança do encontro, mas já começavam a se mesclar, com a ansiedade do desencontro. 

Olhos de águia na copa das árvores! 

Não sabia onde terminava o território daquele anambé, um dos maiores passeriformes brasileiros deve ter um território bem grande, pensei. 

Depois de muitas curvas e expectativas a mil, visualizei uma grande silhueta numa copa aberta, bem longe! Olho na câmera e, para euforia geral, não só o encontramos, como era um casal!


Encontrar um casal gerou a expectativa de presenciarmos cenas incríveis

Apesar da distância, conseguimos observar aquela cena de grandes documentários de natureza e que deu o apelido de "bruxo" ao macho dessa extraordinária espécie. Num espetáculo de pura magia, a transformação ocorre bem diante dos olhos estupefatos da privilegiadíssima plateia. Sua cabeça desaparece sobre um penacho que a cobre e uma extravagante "gravata" cresce até ultrapassar o próprio corpo da ave, nenhum outro mago no mundo faz isso!


A fêmea está logo abaixo, atrás dos galhos



Infelizmente, a grande distância que nos separava dessa cena incrível não propiciou melhores registros, mas não faltou gratidão por vivenciar esse fantástico e exclusivo espetáculo.



Equipe retornando com a felicidade do sonho realizado



Cenas do próximo capítulo: