Após as buscas ao anambé-preto, saímos, às quatro e meia da manhã, para procurarmos uma outra ave fantástica, o socoí-zigue-zague.
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Fêmea do anambé-preto
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| Esqueci de compartilhar as fotos da fêmea na primeira parte |
Partimos rio abaixo, somente com a luz das estrelas. A escuridão da floresta e o infinito do espaço nos teletransportava. Sobre as águas do Rio Claro, o mistério da noite nos envolvia.
Mas a contemplação logo virou atenção. Ligamos as lanternas e escaneando as margens do Rio Claro, seguimos com as forças da correnteza e da fé.
Primeiro encontramos uma garça-real. Até tentei fazer uma foto rápida mas percebi que conseguir um registro naquele completo breu, lutando contra o balanço e a correnteza, necessitaria de mais tempo, então achei melhor focar no nosso objetivo.
O próximo encontro foi com outra ave espetacular, o arapapá.
Como a pressa é inimiga da perfeição, só consegui um assombração.
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| Arapapá |
Outra garça-real!
Encontramos mais ardeídeos de noite do que de dia, realmente sensacional essa nossa passarinhada noturna.
A lua surge, formando uma silhueta.
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| As sombras definem a floresta e proporcionam a foto com o celular |
Nada é certo na natureza, a não ser a morte. Naturalmente, a expectativa cresce a cada curva do rio. Até que o Marccelo diz a palavra mágica, "achei"!!!
E com maestria consegue posicionar o barco na única "janela" que havia para fotos, compensando a correnteza e ainda segurando as duas lanternas para que eu pudesse fotografá-lo.
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| O raro socoí-zigue-zague |
Com a satisfação em conquistar esse lifer tão desejado, seguimos até um paraná para ver se encontrávamos outro socoí.
Sobre as calmas águas, noite ainda escura, vi um brilho forte! "Tem um bicho ali", exclamei de pronto.
Ao aproximarmos, um urutau se define na escuridão da noite e faço uma foto que há tempos desejava, com seus incríveis olhos amarelos esbugalhados.
Ali, com o anambé-preto e o socoí-zigue-zague no cartão de memória, já tinha "ganhado a viagem". Mas outros seis lifers, entre outros encontros muito maneiros, deixaram ainda mais especial esse nosso retorno àquele paraíso amazônico.
Dentre os lifers, mais cinco aves e um mamífero, o ameaçado macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles malek).
Um bando desse grande primata passou sobre minha cabeça, numa correria danada, quando estava tentando outro lifer top, o uirapuru-de-chapeu-branco, que ficou só na vontade.
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O contraluz muito forte não colaborou, depois percebi que deveria ter filmado com o celular
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Os outros lifers foram: inhambu-relógio, arapaçu-elegante, arapaçu-pardo-de-mato-grosso, arapaçu-barrado-do-tapajós e arapaçu-de-listras-brancas-do-leste.
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| Arapaçu-de-listras-brancas-do-leste procurando alimento |
Na festa dos
lifers, os arapaçus deram show!
Além desses quatro, registrei também o arapaçu-de-lafresnaye. E com exceção do elegante, todos num só lugar, na área da passarela, bem pertinho da recepção e que é famosa por avistamentos de outro raro primata, o parauacu. Fica a dica!
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| Vivenciar e contemplar a natureza faz um bem danado |
Agora vamos a uma amostra das aves que rolaram dessa vez.
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| Saíra-mascarada |
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Esse mutum-cavalo desfilou na nossa frente
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| Ariramba-preta (notem a má (?) formação do bico de uma delas) |
A interrogação é para refletirmos. O que seria considerado má formação, ou no nosso caso, algo que fuja do considerado "normal", não poderia ser uma alteração benéfica? No caso da ariramba, ter o bico levemente curvado para cima poderia lhe dar alguma vantagem adaptativa e portanto, melhores chances de passar seus genes para frente, a tal da seleção natural. No nosso caso, não ser "normal" não poderia propiciar melhores condições de viver num sistema doente? Fica a reflexão.
Segue o desfile das estrelas.
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| O belíssimo limpa-folha-do-buriti à beira do Rio Arinos |
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| Belíssimo Rio Arinos |
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| Araçari-de-bico-riscado |
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Capitão-de-cinta
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| Meu primeiro encontro não tão distante com o extraordinário anambé-pombo macho |
Já tinha feito bons registros da fêmea e do jovem, mas o macho com essa sua incrível indumentária ainda me faltava. Um dos maiores passarinhos (ordem: passeriformes) amazônicos, sendo o anambé-preto o maior, não só de lá como de todo Brasil.
Esse registro e os do araçari-de-bico-riscado e do capitão-de-cinta foram feitos da pequena torre próxima do "laboratório".
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À tarde na torre, pausa para descanso, um pouco de observação e muito calor Foto: Sica |
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| Casal de trocal |
Muitas pombas por toda área que acessamos a pé, principalmente no "laboratório".
Além das belíssimas trocais, as ameçadas (!) pombas-botafogo e muitas, muitas pararus-azuis, um dos mais lindos columbídeos brasileiros (mas nenhuma "deu mole").
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Pombas-botafogo Como pode uma pomba que ocorre em praticamente toda Amazônia estar vulnerável à extinção?! |
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Esse papa-formiga-do-igarapé pintou sem playback no "laboratório"
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| Benedito-de-testa-vermelha, pica-pau mais comum por lá |
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| Banho de sol do benedito |
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| Catatau |
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| Ariramba-da-mata caçando próximo da famosa passarela do parauacu |
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Pica-pau-chocolate encontrado também na área da passarela
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| Cantador-ocráceo, numa trilha que chegamos de barco |
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| Xexéu |
Nem todas aves amazônicas são extremamente ariscas. Entre as dóceis, acostumadas com o movimento dos hóspedes, está o xexéu.
Além de muito bonito, é muito comunicativo, inclusive ótimo imitador. Pude observá-lo imitando um falcão-caburé, que ouvia quase todos os dias antes de amanhecer, numa mata próxima.
Sobre as ariscas, dois lifers me escaparam. Mal consegui colocar os olhos neles, o uirapuru-de-chapeu-branco e o formigueiro-de-cauda-baia.
A reserva da Jardim da Amazônia possui uma peculiaridade, há uma área de manejo florestal, que é a mais próxima da pousada e que acessamos a pé. Foi nessa área que passarinhamos quase todo o tempo. Pareceu-me que a pouca estatura do dossel facilita a observação dos bichos de copa, em compensação os de sub-bosque ficam mais cascudos. Uma mata mais baixa entra mais luz e quanto mais luz, mais plantas, o que dificulta achar "janelas".
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| Belíssima saíra-de-cabeça-azul, a mais comum por lá, na borda da mata |
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| Iraúna-grande procurando parasitas |
No "laboratório", área aberta no meio da mata onde há alguns poços de criação de peixes, flagramos essa cena de simbiose da iraúna-grande com a capivara.
Já tinha visto em fotografia esse comportamento da iraúna-grande e desde então desejava presenciar tal cena.
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Fotografando as curicas, pela última vez antes de partir Foto: Sica
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| As curicas-de-bochecha-laranja são o principal espetáculo da Jardim da Amazônia |
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| Nos galhos e talhos estão sua medicina |
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| Encontrá-la fora do cajueiro, dentro da mata, é outra emoção |
Finalizo com a foto mais especial da viagem, a que eterniza os 79 anos completados de uma vida dedicada às artes e às aves, ao lado de sua grande companheira, a adorável Sica.
Parabéns, Tavinho Moura!!! Que venham muitas outras primaveras repletas de aves e passarinhos!!!
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